Hamilton perdido

Todos devem ter a mesma pergunta quando pensam em Lewis Hamilton: O que acontece com o piloto britânico? Como se sabe, ele tem muito talento, muito mesmo, sabendo extrair toda a velocidade de um carro, mesmo que as vezes à custa de um maior consumo de pneus. Além disso ele sempre foi muito agressivo nas disputas de posições na pista, não exitando em dividir uma freada ou mesmo “trocar tinta” com o adversário se acreditasse que a ultrapassagem fosse possível.

Em 2011 entretanto Lewis Hamilton parece ter perdido a mão na dosagem de seu arrojo e protagonizou a maioria dos acidentes entre carros nos GP´s (ok, Schumacher também deu lá sua contribuição, mas foi menor), e na sua lista de vítimas estão Button, Kobayashi, Maldonado e principalmente Felipe Massa, que parece ter seu carro magnetizado pelo de Hamilton.

Não vamos aqui nos perder analisando a culpabilidade do inglês (olha o termo jurídico dos tempos de advocacia sendo útil de novo!), que parece ser claramente o causador da maioria dos incidentes em que se envolveu. Pensemos porquê deles serem tão numerosos e porque ele não tem conseguido evitá-los.

Um dos fatores que vejo é sua insatisfação por não dispor de um equipamento vencedor como nos tempos de 2007 e 2008. Essa é a terceira temporada consecutiva em que a McLaren não tem o melhor carro e começa o ano por baixo, correndo atrás do prejuízo, e por mais que sempre consiga recuperar algum terreno, não disputa o título com chances reais.

Hamilton, mais que o já maduro e mais seguro Button, não parece se conformar com isso e tenta extrair no braço o que o carro não tem e sobretudo nas corridas deixa seu ímpeto cegar-lhe a visão da realidade não antevendo que baterá logo mais e que isso é evitável se ele adiar sua tentativa por apenas mais duas curvas ou uma volta no máximo. Além disso não percebe que se for mais “na manha” provavelmente pouparia mais seus pneus.

Outro fator que pode influenciar seu mau momento é sua vida pessoal que passou a ser menos ligado à pistas e mais à popstars do showbizz musical a partir do momento que passou a namorar a “Pussycat Girl” Nicole Scherzinger e ter sua carreira administrada não mais pelo seu pai mas pelo empresário de celebridades Simon Fuller. Desde então nomes da musica passaram a ser sua companhias mais do que pessoas ligadas ao universo do qual deveria estar envolvido, o automobilismo. A presença desses nomes é tamanha que Ron Dennis teria expulsado a cantora Rihanna do box da McLaren no GP do Canadá.
Junte portanto a insatisfação de Hamilton com um equipamento que nunca nasce realmente competitivo, some o fato de sua mente estar dispersa em pensamentos do showbizz, adicione um empresário que não é da área e aparentemente ausente (segundo o pai de Hamilton) e ainda acrescente um companheiro de equipe eficiente, que cativa a equipe e com maior experiência e frieza em visualizar uma corrida e o resultado será o Hamilton volátil que estamos vendo.

Tudo isso explica totalmente a maré ruim de Hamilton? Não, mas certamente ajudam a traçar um retrato mais realista das possíveis razões que levaram o campeão de 2008 à atual lamentável situação.

Resta torcer para que as pessoas que o cercam consigam reconduzir Hamilton ao caminho do equilíbrio psicológico perdido, mas para isso ele tem que perceber que precisa mudar, fazer uma correção de rota. Quando (e se) isso acontecer, tenho certeza que teremos ótimos espetáculos novamente e possivelmente novos títulos se o equipamento permitir.

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