Por trás do "climão" entre Alonso e Ferrari

Vocês leram na internet a declaração de Fernando Alonso no domingo, quando perguntado sobre o que queria de aniversário (que comemorou na segunda-feira), respondendo com ironia que gostaria de ganhar uma Red Bull. No dia seguinte a equipe divulga uma declaração dizendo que o presidente da Ferrari Luca de Montezemolo, ligou para o espanhol parabenizando-o por seu jubileu e também “dando um puxão de orelhas” por suas declarações contrárias aos interesses da Ferrari.

Igualmente vocês leram que o empresário de Alonso se reuniu com Christian Horner, chefe da Red Bull no motorhome da equipe durante o fim de semana do GP da Hungria e as declarações subsequentes do dirigente do time austríaco dizendo que “quando os candidatos à substituir Webber pareciam definidos, apareceu outro”.

Muita gente, sobretudo da imprensa estrangeira, já tascou: “Alonso vai para a Red Bull” ou “Red Bull quer Alonso no lugar de Webber”. Isso é possível? Até é, mas não vejo como algo provável e explico por que:

Lembremos primeiro que o mesmo empresário de Alonso representa também o piloto Carlos Sainz Jr, que foi muito bem no teste de novatos e poderia, ele sim, estar sendo negociado com a Red Bull (para a Toro Rosso, talvez). Além disso Fernando Alonso tem contrato até 2016 e, por mais que seu contrato possa ter clausulas que o permitam sair da equipe, certamente a própria equipe também tem suas amarras milionárias para mantê-lo. Some-se a isso que a Red Bull tem Vettel amarrado até 2015 e ele está indo muito bem, andando forte, ampliando sua vantagem, sem cometer erros e dirigindo-se para seu 4º título consecutivo, de modo que a contrataria outro piloto top para desestabilizar algo que comprovadamente já está perfeito não faz sentido algum (Kimi também balançaria nessa).

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Temos que lembrar que todas essas declarações podem ser parte uma guerra psicológica, seja da Red Bull querendo azedar o clima interno entre Ferrari e Alonso, seja da Ferrari tentando colocar Vettel sob tensão com a possível chegada de um piloto que lhe ameace a supremacia interna. Outra possibilidade é que a Red Bull usa Alonso para baixar a bola de Kimi Raikkonen, que poderia estar cobrando muito alto para uma eventual transferência para a equipe dos energéticos (se bem quem sua ida para lá, por mais midiática que seja, também tiraria a paz de Vettel, o poderia ser contra-producente, como expliquei no parágrafo anterior). Também pode ser um instrumento (de eficiência discutível) encontrado por Alonso para pressionar a Ferrari a dar-lhe um carro realmente competitivo, algo que jamais aconteceu desde a sua chegada na equipe – possibilidade que mais acredito.

No fim, também pode ser isso mesmo: um flerte fora de hora entre Alonso e Red Bull para um parceria futura, quem sabe depois de 2016, quando o espanhol estará sem seu atual contrato amarrando-lhe os movimentos, mas se for isso, o timing é absurdamente errado, o que não daria muito crédito a essa possibilidade.

De qualquer maneira, me parece que esse episódio é muito menos do que aparenta ser e não devemos criar expectativas de uma bombástica e milionária transferência do espanhol para a equipe campeã para o ano que vem. Nesse intervalo de 1 mês sem Fórmula 1, qualquer coisinha poderá ser transformada numa colossal manchete por muita gente para terem assunto (sejam sites querendo visitantes, sejam equipes querendo permanecer na mídia), então não levemos tudo a ferro e fogo.

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