Balanço geral dos testes de Jerez

IMG_20150204_163646Vamos agora dar uma repassada nos dados finais dos 4 dias de atividades das equipes nos testes coletivos de Jerez, encerrados ontem:

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No quesito velocidade pura a Ferrari saiu na frente, mas sua vantagem no cronômetro (assim como a da Sauber) é irreal, pois sabemos que voltas rápidas são absolutamente irrelevantes e imprecisas nesses primeiros testes, pois quase nenhuma equipe estava focada em acelerar pra valer e nunca sabemos exatamente em que condições cada uma andava em suas inúmeras variáveis (quantidade de combustível, estado dos pneus, configuração de motor, asas, uso de Kers etc), mas alguém tinha que ficar na frente, o que sempre ajuda a levantar o moral e garante boa visibilidade na mídia:

Melhores voltas dos 4 dias somados:
1 – Kimi Raikkonen (Ferrari): 1:20,841
2 – Sebastian Vettel (Ferrari): 1:20,984
3 – Felipe Nasr (Sauber-Ferrari): 1:21,545
4 – Nico Rosberg (Mercedes): 1:21,982
5 – Marcus Ericsson (Sauber-Ferrari): 1:22,019
6 – Lewis Hamilton (Mercedes): 1:22,172
7 – Felipe Massa (Williams-Mercedes): 1:22,276
8 – Valtteri Bottas (Williams-Mercedes): 1:22,319
9 – Max Verstappen (Toro Rosso-Renault): 1:22,553
10 – Pastor Maldonado (Lotus-Mercedes): 1:22,713
11 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso-Renault): 1:23,187
12 – Daniel Ricciardo (Red Bull-Renault): 1:23,338
13 – Romain Grosjean (Lotus-Mercedes): 1:23,802
14 – Daniil Kvyat (Red Bull-Renault): 1:23,975
15 – Jenson Button (McLaren-Honda): 1:27,660
16 – Fernando Alonso (McLaren-Honda): 1:35,553

Formula One Winter Testing, JerezNa parte de quilometragem, aí não teve pra ninguém: Deu Mercedes disparadamente na frente, mostrando a enorme confiabilidade dos seus motores 2015. A Williams também não quebrou nenhuma vez com os mesmos propulsores, mostrando que os alemães, que já eram conhecidos pela maior potência, largaram muito bem também nesse quesito, seguidos de perto pelo motor da Ferrari, que igualmente equipa a Sauber. As equipes com motores Renault não deixaram as melhores impressões, especialmente a Red Bull, que andou pouco.

Quantas voltas cada equipe deu:
1 – Mercedes 513
2 – Sauber 382
3 – Toro Rosso 353
4 – Ferrari 346
5 – Williams 278
6 – Lotus 190
7 – Red Bull 166
8 – McLaren 79
9 – Force Índia 0

Quilometragem das equipes:
1 – Mercedes, 2271
2 – Sauber, 1691
3 – Toro Rosso, 1563
4 – Ferrari, 1532
5 – Williams, 1230
6 – Lotus, 841
7 – Red Bull, 735
8 – McLaren, 349
9 – Force Índia, 0

Quilometragem dos Motores:
1 – Mercedes, 4343
2 – Ferrari, 3219
3 – Renault, 2275
4 – Honda, 349

test7Sobre os carros em si, fica difícil fazer uma análise precisa uma vez que não sabemos o que cada um quis testar (na terceira sessão de testes, em Barcelona, todas deverão testar a velocidade de seus protótipos), mas com base no que jornalistas de vários países lá presentes viram e no que eu pude acompanhar nas folhas de tempo, essa foi minha impressão inicial:

  1. Mercedes: Aparentemente continua dando as cartas com o melhor conjunto carro-motor, andaram mais que todo mundo e nem se preocuparam em parecer rápidos – ao contrário, não queriam chamar atenção, mas o bom ritmo das sequências longas de voltas atesta a superioridade.
  2. Ferrari: Esses pareciam querer ser rápidos e foram, dando a entender que tanto o carro como o motor desse ano evoluíram bastante em relação ao do ano passado – palavras do próprio Kimi Raikkonen, mas quanto melhoraram em relação à concorrência, ainda não dá pra precisar.
  3. Williams: Atuaram como sempre fazem nos treinos de sexta-feira, discretamente e sem querer impressionar, o que é bom sinal, pois mostra que estão confiantes e focados no trabalho deles sem se preocupar no que os outros pensam. Ah, também não quebraram nenhuma vez.
  4. McLaren: Andaram muito pouco por causa do novo motor que quebrou várias vezes – algo natural num ano de estréia e melhor, por exemplo, do que a Red Bull no mesmo estágio cm a Renault no ano passado. Vão sofrer até tornar o motor confiável e só então poderemos saber se o carro em si é rápido.
  5. Red Bull: Outra equipe que andou pouco, enfrentando problemas com seu motor Renault, que começa o ano sem o mesmo vigor de Ferrari e Mercedes. Mas dessa vez os problemas tendem a ser menores e assim que as coisas encaixarem não tenho dúvidas que serão rápidos.
  6. Sauber: Assim como a Ferrari, parece colher os frutos iniciais de um carro e um motor melhor e mais confiável que os vistos em 2014, mas se alguém se ilude em relação às primeiras posições nas folhas de tempo pare agora: nem a própria equipe acredita nisso. Tiveram um bom começo, mas daí a dizer que terão um bom ano falta muito.
  7. Lotus: Depois de quase perder os testes o carro chegou atrasado, mas a lembrança do desastroso carro do ano passado parece ter sido apagada quando Grosjean e Maldonado saíram realmente felizes com o que sentiram do novo E23, que parece mais equilibrado e preciso de se pilotar. Os benefícios pela troca do motor Renault pelo Mercedes também pesaram à favor.
  8. Toro Rosso: Andou quase o dobro da irmã Red Bull e com isso parece ter a confiabilidade do conjunto mais estável num bom patamar inicial. O carro desse ano, nas palavras do próprio chefe de equipe, é mais complexo que o do ano passado e ver que isso não trouxe problemas inciais é positivo, ainda que como no caso das demais, não saibamos quão rápida ela de fato é.
  9. Force Índia: Não foi por falta de dinheiro, o que vai ter consequências no desenvolvimento do seu novo carro e em toda a temporada da equipe.

Abaixo vemos quanto cada piloto andou. Como primeiro apontou o jornalista Roberto Lioi da Rádio Globo/CBN, curiosamente os dois brasileiros andaram exatamente 10 voltas a mais que seus respectivos companheiros, mas por se tratar de uma diferença mínima, não quer dizer que tenham tido algum tipo de vantagem e nesse sentido os dados abaixo mostram que à exceção dos pilotos da Mercedes e Lotus (Rosberg e Maldonado andaram mais), todos os pilotos andaram proporcionalmente quase o mesmo que seus companheiros, o que é o ideal.

Quantas voltas cada piloto deu:
1 – Nico Rosberg (Mercedes), 308
2 – Kimi Raikkonen (Ferrari), 200
3 – Felipe Nasr (Sauber), 197
4 – Lewis Hamilton (Mercedes), 188
5 – Marcus Ericsson (Sauber), 185
6 – Carlos Sainz Jr. (Toro Rosso), 183
7 – Max Verstapen (Toro Rosso), 170
8 – Sebastian Vettel (Ferrari), 149
9 – Felipe Massa (Williams), 144
10 – Pastor Maldonado (Lotus), 137
11 – Valtteri Bottas (Williams), 134
12 – Daniel Ricciardo (Red Bull), 84
13 – Daniil Kvyat (Red Bull), 82
14 – Romain Grosjean (Lotus), 53
15 – Jenson Button (McLaren), 41
16 – Fernando Alonso (McLaren), 38

Quilometragem dos pilotos:
1 – Nico Rosberg, 1.363,824 km
2 – Kimi Raikkonen, 885,600 km
3 – Felipe Nasr, 872,316 km
4 – Lewis Hamilton, 831,712 km
5 – Marcus Ericsson, 819,180 km
6 – Carlos Sainz Jr., 810,324 km
7 – Max Verstapen, 752,760 km
8 – Sebastian Vettel, 659,772
9 – Felipe Massa, 637,632 km
10 – Pastor Maldonado, 606,636 km
11 – Valtteri Bottas, 593,352 km
12 – Daniel Ricciardo, 371,952 km
13 – Daniil Kvyat, 363,096 km
14 – Romain Grosjean, 234,684 km
15 – Jenson Button, 181,548 km
16 – Fernando Alonso, 168,264 km

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7 respostas para Balanço geral dos testes de Jerez

  1. Rodrigo disse:

    José Inacio, não existe uma tabela de tempos dos treinos onde se possa pegar a melhor parcial de cada trecho da pista e montar a melhor volta, mesmo que não seja do mesmo piloto ou equipe?
    Uma equipe pode ter feito cada trecho rápido em voltas diferentes.

  2. guina disse:

    Como sempre,uma boa análise. mas é mto ruim ver minha Mclaren assim.

    • Pedro disse:

      Prezado Guina a McLaren só vai melhorar quando o Ron Dennis abrir a mão e contratar um projetista de primeira linha. A equipe é ótima em estrutura, sempre teve bons motores, bons pilotos, mas nunca teve grandes projetistas, exceto J. Barnard de 1981-1986 e Adrian Newey de 1998-2006. Os outros são coadjuvantes…só atrapalham a equipe. Neil Oatley, Steve Nichols, Pat Fry etc…tudo enganador, mas trabalham com um salário mínimo,

      • Leandro Lefa disse:

        Steve Nichols enganou direitinho em 88.

      • Pedro disse:

        Nichols só deu certo na McLaren em 1988 e 1989 porque Prost e Senna eram os melhores pilotos da F1, além do motor Honda ter vantagens em 1988 e em 1989, pode reparar que a McLaren usava muito Aerofólio traseiro em 88/89 porque o motor era muito potente, bastou o Honda perder a superioridade de motor a partir de 1990 e a McLaren teve que usar menos aerofólio e os problemas de chassis começaram a surgir. E este tal de Nichols foi trabalhar na Ferrari em 1990, mas o carro não era dele (era do John Barnard). O Wikipedia errou em dizer que o carro era do Nichols-Scalabroni. A Ferrari foi bem em 1990 graças a base do carro de Barnard (agora na Benetton) e a Prost. Pois bem o Nichols simplesmente destruiu a Ferrari em 1991, agora sim um carro 100% seu, fazendo um carro que o Prost chamou de caminhão, os dois foram demitidos. A Ferrari pediu para o Barnard voltar em 1993…Depois disto o Nichols virou um errante e foi atrapalhar a Sauber, atrapalhou a Jordan, a Prost e a Jaguar. Eu não acho ele bom. Até porque o Gordon Murray disse que o projeto da McLaren de 1988 tem muita influência do Brabham de 1986…e eu acredito nisto o Gordon é gênio, assim como Chapman, Barnard, Rory, Newey, Head, Forghieri. Lowe. Ross Brown. Nichols para min não é…ele é comum.

  3. Pedro disse:

    Não devemos esquecer que motores turbos com restrição de consumo de combustível, são motores difíceis de serem feitos…e não tem como ser competitivos sem ajuda inglesa…o segredo da Mercedes não é só a sua eletrônica, turbos e dinheiro alemão etc…é a sua equipe inglesa com o Andy Cowell como chefe e a sede na Inglaterra (East Midland) com um monte de engenheiros ingleses, a Honda é a mesma coisa são vários ex-técnicos ingleses chefiados por japoneses, mas a sede é Inglaterra (Northampton), a Renault que estava péssima em motores em 2014 também foi para a Inglaterra junto com a Honda (Northampton) por sugestão do seu chefe o inglês Rob White, que deverá receber ajuda da Ilmor inglesa, o dono da Ilmor é suíço, mas 90% dos seus engenheiros são ingleses. Só os Italianos insistem em ter engenheiros italianos lá de Modena. Se o motor fosse aspirado ou turbo com baixa pressão até um uruguaio ou boliviano sabe fazer um bom motor, mas motores sofisticados tem que ser inglês.

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