Sobre a morte de Justin Wilson

just1 Como vocês todos já sabem, o piloto inglês Justin Wilson faleceu ontem em decorrência de um acidente sofrido nas 500 Milhas de Pocono da Fórmula Indy. Seu carro – mais precisamente seu capacete – foi atingido por um destroço do carro batido de Sage Karam, ao que tudo indica o bico (o objeto mais claro dentro do círculo vermelho na imagem cima), um pedaço sólido e pesado de fibra de carbono.

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Esse impacto aparentemente não destruiu o capacete do piloto, como podemos ver pela imagem abaixo, obtida logo após o inglês receber a pancada e chocar-se em menor velocidade contra o softwall do muro interno da pista e antes da chegada do resgate, mas o golpe em si com a pesada peça teria sido forte o bastante para ocasionar os ferimentos fatais no cérebro do piloto – se uma mola fez o que fez em Massa, imagine um bico, maior e mais pesado… Wilson, de 37 anos, já havia passado pela Fórmula 1 em 2003 quando disputou a parte inicial da temporada pela Minardi (graças a uma vaquinha entre fãs) e as 5 corridas finais pela Jaguar. Pela Fórmula Indy desde 2004, ganhou 7 corridas e ainda venceu as 24 Horas de Daytona de 2012 ao lado do brasileiro Oswaldo Negri Jr. na Le Mans Series.

just2Certamente esse terrível acidente reascende o debate sobre a importância de fechar ou não os cockpits desses carros, o que traria segurança para os pilotos contra objetos que poderiam lhes atingir.

Por outro lado, um cockpit fechado dificulta a saída do piloto em caso de uma batida onde, por exemplo o carro fique de cabeça para baixo, ou se a cobertura emperra numa colisão ou incêndio – o cocpkit dos protótipos fechados da WEC são maiores e tem portas laterais para isso – sem falar na questão visibilidade em caso de chuva ou sujeiras do carro da frente, para as quais hoje os pilotos contam com as sobre-viseiras descartadas ao longo das corridas (teriam limpadores de para-brisas com desembaçador e esguicho d´água?), além de alterar drasticamente a aerodinâmica e aparência dos carros da categoria.

Enfim, de mais esse trágico acontecimento surgem mais perguntas importantes: Deve-se fechar os carros? Deve-se continuar a correr em circuitos ovais a mais de 350 Km/h com carros abertos? A Fórmula Indy deve acelerar o desenvolvimento da próxima geração de carros da categoria, programados para estrear em 2018 ou 2019? A Fórmula 1, Fórmula Indy e demais categorias de monopostos como Fórmula E, GP2, etc deveriam sentar-se todos à mesa para encontrar soluções em conjunto, ou cada uma dentro da sua realidade esportiva e orçamentária tem necessidades diferentes? Vamos aguardar os próximos movimentos em relação a essa vital busca por mais segurança. Descanse em paz, Justin Wilson e que sua família tenha forças para se reerguer…  Clique nas imagens para ampliá-las.
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14 respostas para Sobre a morte de Justin Wilson

  1. Anônimo disse:

    Nesses últimos anos dá para lembrar vários casos de acidentes assim. Lembro do Massa, de um piloto da GP2 em que foi atingido por um pneu, o quase acerto do carro do Alonso no Kimi, o Jules, e agora esse morte. Estou começando a achar que o cockpit fechado é uma solução importante.

    • Marcos disse:

      No caso do Jules Bianchi um cockpit fechado não salvaria a vida do piloto! Ali, o que causou os dados ao cérebro dele foi a brusca desaceleração, pois o carro entrou embaixo do trator e parou de uma vez. Se você olhar as fotos, verá que o capacete do Jules estava intacto, e sem marca do batidas.

      • Alex disse:

        E mais a cobertura mais volumosa ofereceria mais resistência ao impacto tornando a desaceleração menor. É apenas uma suposição ja que ele não volta mais. Mas o cockpit fechado deve ser pensado sim.

    • Anônimo disse:

      Henry Surtees era o nome dele. Mas concordo com o Marcos, um Cockpit fechado não salvaria o Jules… Talvez o Surtees e o Wilson, mas o Bianchi não….

  2. Esse ano encontra-se difícil apreciar o automobilismo com entusiasmo. Triste mais essa fatalidade. Não sei ter uma opinião formada pelo cockpit fechado, já que para uns acidentes ele proporcionaria segurança, para outros atrapalharia. O Fato é que automobilismo em geral nunca deixará de ser um esporte radical e perigoso. Para nós fãs resta acompanhar o esporte com o coração na mão e orando pelos pilotos e família. #Deusnocamando #arrasada.

  3. Anderson disse:

    Sou totalmente a favor de fechar o cockpit, recentemente todas as fatalidades em monopostos estao relacionadas a cabeça do piloto. Temos tecnologia suficiente para encontrar a melhor maneira, é só ter vontade de resolver, precisam quebrar este paradigma.

    • Lulu disse:

      então tente me dizer no acidente do jules bianchi o que faria de diferença o cockpit fechado, pois os traumas cerebrais foram causados decorrentes da desaceleração absurda, me explique o que salvaria ele? Ja que o médico que socorreu ele disse que o capacete estava intacto (idem Justin, capacete faz seu papel, mas a desaceleração do choque mata). A verdade é que chegamos ao limite físico do corpo humano, e isso não vejo como mudar, não sera uma cobertura que te salvará. Velocidade mata e continuara matando até o final da humanidade e isso será inevitavel, desacelerações abruptas continuarão a levar pilotos embora. Ser humano quer controlar tudo, mas isso é impossivel, Justin foi uma fatalidade absurda e quantos acidentes piores não vimos com o piloto saindo caminhando, quando sua hora chega nada te protegerá.

      • Tiago Freitas disse:

        Olha, kra… No caso do Jules acho que realmente ele não seria salvo se o cockpit fosse fechado mas o Surtees e o Wilson, sim… No caso do Wilson, não foi a desaceleração e sim a força do impacto sobre a sua cabeça. Impacto este que seria absorvido pela cobertura do cockpit, caso existisse… Idem para o caso do Surtees.

        Mas uma coisa você tem razão: automobilismo é esporte de risco. Cabe às entidades responsáveis minimizar ao máximo esses riscos.

        Como você disse, acidentes mais violentos, como o do Kubica no Canadá, terminaram com o piloto salvo e bem, com ferimentos leves. Mas isso só foi possível graças aos avanços no desenvolvimento de soluções de segurança para os carros. Kubica provavelmente não teria sobrevivido se estivesse guiando um carro dos anos 80, por exemplo…
        O fato é que a engenharia tem muito trabalho pela frente…

  4. Junior Pimentel disse:

    No primeiro momento sou favorável ao cockpit fechado, inclusive já vi uma simulação com um carro da Ferrari e achei muito bonito, porém devemos levar em consideração os pontos negativos apontados José Inácio, penso em algo similar ao usado nos caças militares, que ejetariam a “cúpula”. Embora seja difícil, este problema deveria ser tratado em conjunto com todas as categorias de monopostos.

  5. A questao talvez seja algo parecido com o que se fez com os pneus após o acidente do Ayrton, eles sao presos por cabos. Um sistema onde os aerofolios sejam montados em varias peças impedindo que peças grandes e pesadas se desprendam do carro. Peças moduladas da carroceria que nao se desprendam tambem em pedaços grandes e pesados e finalmente, o motor e cambio totalmente carenados tambem por trás, impedindo que peças pequenas se desprendam do carro. Enfim, engenharia existe, é preciso empenha-la na busca de soluções inteligentes.

  6. cleber rodrigo moreno disse:

    A maioria das soluções são tomadas sempre após a perda drástica de um piloto. Em 1994, após as mortes de Roland Ratsenberger e Ayrton Senna, respectivamente em Ímola, foram tomadas decisões importantes na Fórmula 1. Foram-se 20 anos sem acidentes fatais na categoria, até a fatalidade de Jules Bianc, no Japão, ano passado. Na Fórmula Indy, foram feitas várias mudanças nos carros, mas na minha opinião, esse monte de carenagens nos carros, sempre têm uma desvantagem, numa batida como a de domingo, que vitimou Justin Wilson, a quantidade de destroços é sempre muito grande. Um carro de Fórmula em ovais, andando a mais de 350 km/h é sempre um risco extra. As mudanças da Indy aconteceram com mais vigor depois dos acidentes naquela fatídica 500 milhas de Indianápolis, onde vários pilotos se acidentaram, incluindo Rick Mears, Nelson Piquet, entre outros. Após as mudanças, passaram-se alguns anos sem acidentes fatais na categoria, até a morte de Dan Weldon, há alguns anos atrás. Agora, mais uma vez, depois da morte de mais um piloto, as categorias, principalmente as de Fórmula, terão que quebrar cabeças para adotarem mudanças para que os pilotos tenham uma proteção extra dentro de seus cockpits, evitando assim mais tristezas aos fãs do automobilismo, às famílias dos pilotos e demais envolvidos nesse esporte fascinante e ao mesmo tempo tão perigoso. Aguardemos cenas dos próximos capítulos…

  7. Marcos Paulo disse:

    Henry Surtees morreu com um Pneu que se soltou de um outro carro.
    São muitos casos de mortes para não se pensar seriamente no caso da cobertura.
    Mas sempre levando em conta poréns citados pelo J. Inácio

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