Fórmula 1 está muito cara e complicada

Tempos atrás fiz um artigo, com grande repercussão no meu micromundo do blog, sobre como os carros da Fórmula 1 cresceram e se complicaram (veja AQUI). Motivado pelo interesse gerado, resolvi mostrar como além de maiores, os carros se tronaram muito mais complexos, sob o ponto de vista técnico.

Para isso selecionei algumas imagens em alta resolução dos mesmos trechos de carros de eras diferentes – mas nem tão distantes assim – para ilustrar como a categoria se tornou complexa e desafiadora para projetistas, engenheiros e pilotos, que quando se encontram atrás de um carro no trafego, pegam um ar muito mais turbulento do que antes, dificultando sua aproximação nas curvas para uma eventual ultrapassagem na reta subsequente.

Na imagem acima temos algumas partes que não aparecem muito nas transmissões, ou que pelo menos nem todo mundo repara: os difusores traseiros, isto é, o trecho final do assoalho dos carros, responsável por uma parte importante da pressão aerodinâmica deles.

Elas são imagens da atual Alfa Romeo C39 de Kimi Raikkonen e Antonio Giovinazzi de 2020 comparada à Mercedes W02 de 2011 pilotada por Michael Schumacher e Nico Rosberg. Tudo foi “hipertrofiado” e até região dos discos de freio ganharam pequenas asas para aumentar o downforce, isto é, a pressão aerodinâmica.

ME SIGA NO TWITTER: @inacioF1

Já aqui ao lado temos os bargeboards da Red Bull RB16 desse ano de Max Verstappen e Alexander Albon e logo abaixo na colagem a mesma peça do RB12 de 2016 que o mesmo Max dividia com Daniel Ricciardo.

Repare como as peças desse ano se tornaram muito maiores, com muito mais elementos, curvas, asinhas, adereços, fendas intrincadas nas mais variadas formas para que o ar cumpra seu papel de percorrer um caminho específico.

Na terceira imagem comparativa, abaixo, vemos a frente de um carro da Renault de 2009 e a de uma Mercedes 2018. A escalada de complexidade também salta aos olhos, com o carro da Renault mais parecendo a obra de carpintaria rústica comparado ao carro de apenas 9 anos depois.

O que quero com esse texto, criticar a Fórmula 1? Não necessariamente, eu adoro essa evolução e miríade de apêndices aerodinâmicos. Para mim é arte, é lindo, ainda que virtualmente inútil para a finalidade do entretenimento da grande maioria que está em casa assistindo e quer ver “pegas” bonitos e não destrinchar os carros com uma lupa.

E o preço de tamanha exuberância é uma categoria tão complexa e com tamanho refinamento técnico que os custos para uma equipe se tornar competitiva subiram astronomicamente, afastando novos interessados e afugentando até grandes e ricos fabricantes de motores – peças estas também muito caras, sem apelo junto ao público ou lastro no que busca o mundo real – como a Honda que agora anunciou que abandona o barco ano que vem, dificultando a vida de quem tem menos orçamento e ampliando as chances do domínios de grandes equipes com empresas bilionárias por trás.

Isso em tese deve mudar um pouco com o novo teto de gastos aprovados, mas não espere milagres, pois a grande soma dos salários dos principais executivos, técnicos, pilotos e a verba de marketing estão fora dessa limitação, o que tornam os números ainda bastante grandes quando comparadas às equipes menores, cujos orçamentos completos, com esse salários e verbas incluídos mal chegam ao teto permitido.

A Fórmula 1 nunca foi chegada à uma igualdade, só que no mundo em que estamos hoje, a manutenção desse descolamento com a realidade prática mundial é cada vez mais venenoso para a sobrevivência da categoria, basta comparar com o crescimento da ainda não tão interessante e rápida mas extremamente competitiva Fórmula E, que conta com as marcas Audi, BMW, Porsche, Citroën (DS), Jaguar, Nissan, Nio, Penske, Porsche, Mahindra, Venturi e Mercedes em seu grid por uma fração dos custos.

AYRTON SENNA, PILOTO DA FORÇA AÉREA

DANÇA DAS CADEIRAS 2021 – TADAS AS 20 VAGAS DA F1 ANALISADAS

O DURO RETORNO DE OCON À FÓRMULA 1

O “ÚLTIMO VOLANTE DE SENNA” ESTÁ À VENDA!


Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

5 respostas para Fórmula 1 está muito cara e complicada

  1. Pingback: Niki Lauda acelera um Fórmula 1 moderno | JOSEINACIO.COM

  2. Pingback: O triste fim do super iate de Nelson Piquet | JOSEINACIO.COM

  3. Pingback: O GP mais frio da história | JOSEINACIO.COM

  4. Pingback: Análise “equipe por equipe” do GP de Eifel (Nurburgring) 2020 | JOSEINACIO.COM

  5. Pingback: Red Bull tem asa com “duto secreto” | JOSEINACIO.COM

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s