A ideia de jerico de Bernie Ecclestone

Formula One supremo Bernie Ecclestone gestures during the presentation of a commemorative book presented to him on the occasion of his birthday at the Indian F1 Grand Prix at the Buddh International Circuit in Greater NoidaAcossado pelo fantasma da diminuição drástica de carros de Fórmula 1 no grid desse ano – em 2014 eram 22 carros e agora são 18, com chances de se tornar 16 ou até menos – o octagenário chefão da Fórmula 1 teve uma ideia que lhe parecia salvadora!

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Mas na realidade, uma ideia um pouco obtusa… Segundo a revista alemã Auto Motor und Sport, Bernie Ecclestone estaria urdindo nos bastidores um projeto para criar o equivalente à uma “segunda divisão” da categoria máxima do automobilismo.

Sua ideia inicial – e de jerico – teria sido usar os carros da GP2 com motores mais potentes (lembrando a F1 dos anos 80, que recebiam carros da F-3000 adaptados, quando no entanto as regras eram bem mais simples), mas depois trocou por outra epifania igualmente infeliz: usar os chassis RB9 da Red Bull da temporada de 2013 preparados pelo polêmico Colin Kolles e os velhos motores V8 2.4L aspirados, esses fabricados pela Mecachrome, tudo costurado seu compadre e ainda mais controverso Flávio Briatore.

O projeto teria sido apresentado às equipes na última reunião do Grupo Estratégico delas na Suíça, semana passada e prontamente recusado por Ferrari, Mercedes e McLaren, claro, mas o fato de Bernie apelar para essas alternativas quase desesperadas mostra como ele, as próprias equipes e a FIA estão próximos de matar a galinha dos ovos de ouro que dividem: a Fórmula 1.

Os problemas, ao meu ver, são vários:

  • É muito caro para as equipes manterem suas estruturas, investirem em novos carros e achar patrocinadores para cobrir esses custos está cada vez mais difícil (as falidas Marussia e Caterham e as atuais Lotus, Force Índia, Sauber e até a poderosa McLaren que o digam)
  • Regras injustas na distribuição de lucros da categoria, cria distorções ainda maiores entre as equipes mais famosas e vitoriosas e as com menor tradição e com menos recursos técnicos e financeiros.
  • A taxa que Bernie Ecclestone cobra das cidades para receber um GP é caríssima, afastando a categoria de pistas e públicos tradicionais e a colocando em autódromos sem tradição em países cujos líderes pagam uma fortuna para ter visibilidade (ano que vem vamos para o Azerbaijão), mesmo que as arquibancadas fiquem às moscas,
  • O interesse dos telespectadores vem caindo ano a ano nos principais mercados, (ano passado a F1 perdeu 25 milhões de telespectadores) mas os preços para transmitir a categoria só aumentam, empurrando-a para as TV´s a cabo e tirando das TV´s abertas, o que reduz ainda mais a sua visibilidade.
  • Marketing fraco, sem foco em renovar sua audiência junto aos jovens e quase sem conexão com a internet – sem vídeos, streaming, as próprias equipes não podem usar imagens de seus carros nas corridas e ai de você se colocar trechos das corridas no YouTube – e é na internet que estão os jovens.
  • Custos elevadíssimos dos ingressos para o público nos autódromos, que só pagando uma fortuna ainda maior podem visitar os boxes e praticamente nunca ver os pilotos.
  • Regulamento técnico cada vez mais restritivo, criando carros feios e quase idênticos entre as equipes e ainda por cima com um som de motor que não empolga.

Enfim, se nas pistas temos bons pegas (ainda quem entre cada vez menos carros), nos bastidores a verdade é que pelo menos 3 equipes estão em situação financeira muito delicada e podem fechar as portas – as já citadas Force Índia, Sauber e Lotus – o que torna imperioso um ataque frontal à estrutura organizacional da Formula 1 e Bernie é peça fundamental nisso, para o bem ou para o mal.

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7 respostas para A ideia de jerico de Bernie Ecclestone

  1. André Gaeta disse:

    Texto perfeito!!!!

  2. Phillip disse:

    Pra mim esse Bernie Ecclestone , já fez muito pela formula 1. Mas agora ele tem sido nada mais que um cancer dentro da categoria, envolvido em diversos escandalos.

    Pela lógica dele de atrair mais dinheiro trazendo países sem tradição no esporte , as equipes deveriam partilhar da gorda fatia exigida por ele frente aos países petrolistas e estarem saudáveis financeiramente. Mas porque não estão ? pra aonde vai todo esse dinheiro.

    Porque que antigamente nos anos 90 , 00 , a formula 1 tinha muito mais espectadores e publico , sendo que hoje existem muito mais tecnologias em termos de comunicação que facilitaria uma expansão de mercado ?

    Enquanto esse gagá nao largar o osso , a situação nao muda.

  3. Cau disse:

    Ótimo posto zé! @cauepurpleshoes

  4. Pingback: A ideia de jerico de Bernie Ecclestone (novamente) | I'm The Dark™

  5. A F1 não tem mais ‘briga’ de verdade como antes. Eu assisto pq sou fã mesmo, menos na era Schumi onde deixei de assistir vários GPs pq já sabia o resultado. Os carros além de feios são muito restritos. Os patrocínios cada vez menores e os pagamentos para correr cada vez maiores… eu vou continuar assistindo… não sei até quando.

  6. Anônimo disse:

    Acho que a F1 morre primeiro que o “Berne”…

  7. Delano disse:

    Belo texto produzido José Inácio,

    A Fórmula 1 pode ser menos burocrática se pretende aumentar o grid nos próximos anos.

    Pode quem sabe alinhar equipes novatas com apenas um carro nas duas primeiras temporadas com menor custo e maior desenvolvimento. Retornar com uma corrida extra campeonato em dezembro só com os piores times da temporada com ingressos pela metade do valor das provas do campeonato e parte da renda ajudar essas equipes, além de poder atrair novos patrocínios. Já que tem o mundial de construtores e pilotos, que tal adotar um campeonato de motores?

    Por último acabar com o sistema artificial do ‘DRS’ e fazer uma mesclagem entre pneus ranhuras com slicks. Os pneus de faixas são utilizados nos 30 minutos finais do segundo treino livre e reutilizados na largada e primeira parte da prova podendo trocar só quando atingir mais de 60% da performance (em caso de furo troca-se somente o pneu danificado). Fica a tática de cada equipe para quem fazer duas trocas utiliza-se compostos macios ou quem optar por uma com o mais duro. A fornecedora adota qual tipo de pneu usar para cada pista. As corridas ganham maior emoção e surpresas dependendo das condições de cada piloto.

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